Projectos LMC
Colocaremos neste blog informações sobre os diferentes projectos dos LMC na missão e os seus testemunhos.
23
Jul 11

   Este ano o tempo de Quaresma e a Semana Santa foram muito especiais para mim, pois como estou a acompanhar os catecúmenos que batizaram esta Páscoa senti-me a viver e partilhar com eles a ansiedade do batismo e o desejo de fazerem parte da grande família cristã.

   Durante a Quaresma tivemos 2 retiros de preparação para o batismo, o primeiro a nível paroquial com todos os eleitos ao batismo (a paróquia é composta por 5 comunidades: S. Francisco de Assis, S. João de Deus, S. Kizito, Sede e Stª Bakhita). E o outro comunitário, que foi vivido de uma forma mais intensa já que os eleitos ao batismo na comunidade (Stª Bakhita) eram apenas 10 e 2 mamãs para a profissão de fé.

   Neste período, os eleitos, envolveram-se ainda na pintura e na limpeza da capela e alpendre, na busca de ramos para o domingo de ramos... um trabalho árduo que mostrou o seu empenho na comunidade. Fizeram-me sentir pequena com toda a sua disponibilidade e serviço à comunidade, eu que quase nunca me envolvia nas actividades da minha paróquia, aprendo aqui como é belo e necessário o trabalho realizado de boa vontade para o crescimento e cuidado da comunidade. Todos estes momentos foram vividos com muita alegria e serenidade.

   Na terça feira da semana Santa essa alegria foi abalada com a notícia do falecimento da mãe da Olga, uma jovem acólita, eleita ao batismo. Neste momento de dor, todos os seus amigos quiseram estar com ela, então organizámo-nos e fomos a sua casa para partilhara sua dor, para estar com ela e para rezar... rezar por aquela família que precisava de conforto, do conforto dos amigos e de um Pai que ama e cuida. Apesar da sua perda e da sua dor não quis adiar o batismo e colocou todo o sofrimento nas mãos de Deus para receber uma vida nova em Cristo.  

 O batismo decorreu na grande festa da Ressurreição, no sábado de Aleluia! Nessa noite emocionei, emocionei-me por ter reconhecido Cristo Ressuscitado no sorriso dos neófitos e ter partilhado com eles este momento, por estar a viver a minha vocação de missionária e ter tido a coragem de partir, por conseguir reconhecer que a distância dos que amo me faz sentir saudades, mas que a graça de servir me faz feliz.

 

   Estamos Juntos!!

por Liliana Ferreira

publicado por LMC às 10:35
23
Jul 11

   Numa carta recentemente recebida do Bispo da Diocese de Mbaiki - Républica Centro-Africana, onde trabalham as nossas LMC's (Susana, Márcia e Élia), recebemos um valioso testemunho da sua actividade e um apelo ao envio de novos elementos para reforço da Missão e para dar continuidade a uma presença que já tem mais de uma década. Passamos a apresentar a carta gentilmente traduzida pela Irmã Carmo Ribeiro:

 

 

 

 

 

   " DIOCESE DE MBAIKI

   BP 19 MBAIKI

   e-mail: evechembaiki@yahoo.fr.

   As leigas missionárias combonianas

  

   Quem são estas jovens mulheres? O que fazem ? De onde vêm? A sua presença é mesmo necessária? O que lhes é específico? Qual é a sua missão?

   Estas e outras perguntas colocam-se aqui e ali periodicamente, principalmente quando, ao fim do contrato, se deve fazer a avaliação do impacto eclesial e social da sua presença e acção.

   A minha intervenção e o meu apreço é fruto do meu conhecimento pessoal e da responsabilidade última, neste lugar, que me cabe, com o meu Conselho, no plano da pastoral em geral e da promoção humana e cristã em particular. Não me parece oportuno, nesta ocasião, justificar passo a passo a minha avaliação, no sentido de que, quem tem interesse em fazê-lo, precisa também de  outros elementos de análise para poder contextualizar e justificar seja qual seja a decisão.

   Em Mongoumba já não há irmãs há muito tempo.

   1. O problema das minorias (pigmeus Aka) é uma missão de considerar como prioritária.

   2. A escolarização das crianças e a alfabetização dos adultos é um dever humano, que  quando não realizado se torna um crime consentido.

  3. Na Saúde Pública a falta de pessoal qualificado, meios e de organização, é evidente. Os deficientes (muitos são crianças) não são considerados.

   4. A formação humana, em particular da mulher, é condição indispensável para a sua dignidade e desenvolvimento a nível civil.

   5. A formação cristã ficou a um nível superficial e abrange só cerca de metade da população.

 

   Neste contexto, as leigas combonianas, são necessárias e é evidente que se não existissem precisaria "inventá-las". É preciso ter presente, além disso, que a sua acção é em complementariedade com a dos Padres residentes, responsáveis da Missão.

   Mas, justamente, devemo-nos perguntar se actualmente são eficazes e respondem às necessidades existentes.

   Quando as primeiras leigas combonianas (esteve também um casal) chegaram à República Centro Africana, eu já era o Pastor desta Diocese e assinei a Primeira Convenção e, uma após outra, a aceitação das pessoas, até hoje.

   Os momentos e as situações vividas pelas leigas missionárias em Mongoumba foram em quantidade, mais difíceis que ordinários. O momento crítico culminante foi o ataque dos rebeldes, militares congoleses.

   A falta periódica da "terceira" pessoa, pesou sobre a vida comunitária e travou o normal desenvolvimento das actividades.

   Todavia, constatei que o trabalho desenvolvido e o impacto da sua presença, em quase quinze anos, foi superior às expectativas, não obstante os obstáculos.

 

   Em todo o território Paroquial, as leigas combonianas são conhecidas e estimadas porque intervêm nos diferentes âmbitos de acção acima citados. Sâo também activas em incombências diocesanas.

   Faço votos que os seus responsáveis dêm o seu justo valor ao trabalho indispensável e eficaz levado por diante, não obstante tudo, com profissionalismo destas jovens mulheres que escolheram Cristo nos mais pobres e abandonados.

 

   Concluindo, exprimo um meu pedido:

   fazer com que esta comunidade seja reforçada em pessoal, para uma maior continuidade da acção missionária e para ser uma comunidade-referência na África Central.

   Obrigado pela vossa colaboração 

                                                                         Rino Perin, Bispo de M'baiki - RCA "

 

 

publicado por LMC às 09:22
14
Jul 11

   Escrevo-vos para vos comunicar com muita alegria, que estivemos mais uma vez reunidos este fim de semana passado em formação com o grupo de formandos LMC Moçambicanos. Este encontro teve como tema "Manejo de sentimentos" e decorreu na nossa casa da Cabaceira.
   Peço pois as vossas orações para que o Senhor nos possa guiar com a Sua sabedoria a encontrar os caminhos certos para a construção do Seu Reino. Um forte abraço para todos vós! Estamos Juntos.

por Carlos Barros

 

   Testemunho de uma formanda LMC de Moçambique:

   "Os Leigos Missionários Combonianos fazem parte da família comboniana. Como forma de fazer realidade o sonho de S. Daniel Comboni, o leigo trabalha em conjunto com os padres e irmãs nas diversas atividades cuja missão lhes deve: na pastoral, na educação e na saúde.

   Os Missionários Combonianos veem realizados os seus propósitos na medida em que alguns africanos se comprometem a fazer face os sonhos de S. Daniel Comboni – “Salvar África com África”.

   Foi desta maneira que se reuniu uma vez mais o grupo de formandos moçambicanos para aprender um pouco da vida em comunidade e em particular dos Leigos.

   Este nosso encontro teve lugar na Cabaceira e foi presidida pelos LMC's Carlos e Lourdes, atualmente residentes na missão de Carapira.

   O nosso tema foi “manejo dos sentimentos” e tivemos como pontos de reflexão as leitura bíblicas de Mt 9,36; Mt 26,37-39; Mc 10,13-16; Lc 10,21; Jo 11, 32-37 e Jo12, 27. Estas leituras nos ensinavam diferentes formas de sentimentos, como podemos ver: alegria, tristeza, perda, insegurança e até mesmo de medo.

   O encontro começou com a projeção do filme “Amor por acaso”e em seguida, tivemos leituras, reflexões, questionários, missa, trabalhos em grupo e individuais e terminou com algumas considerações.

   O filme falou de um homem que ensinava os outros a superar os seus medos. Wather era um homem bom, generoso, gentil que ajudou muitas pessoas a ultrapassar as suas dificuldades da vida. Mas entretanto, ele era um homem infeliz pois tinha um sentimento de culpa que nunca quis revelar a ninguém: “Era um homem viúvo cuja sua esposa havia morrido num acidente onde estavam eles os dois”. O seu sentimento de culpa residia no facto de não ter tido a oportunidade de salvá-la.

   Este sentimento de culpa arrastou-se por muito tempo, e nunca conseguiu revelar a ninguém, facto que lhe levou a ficar infeliz para o resto da vida, ainda que criasse novas amizades.

   Deste filme muita coisa ficou. Ensinou-nos que é importante saber moldar os nossos sentimentos, mas é aconselhável que partilhemos com as pessoas mais próximas. A partilha nos ajuda a ultrapassar com facilidade e a resolver com paciência e calma as nossas inquietações.

   Nunca podemos pensar que existem sentimentos bons e maus. A felicidade de cada um depende de como gerimos os nossos sentimentos. Quando sabemos manejar os nossos sentimentos, podem até pensar que não temos dificuldades.

   A outra coisa que mais me impressionou neste encontro foi quando no Domingo nos juntamos à comunidade da Cabaceira para a celebração eucarística. Pude ver que o cristianismo na zona costeira é quase inexistente. Mas não deixo de referir que por outro lado fiquei impressionada por ver um grupo de pessoas, embora o número não ultrapassasse 10 elementos, que se comprometem a seguir Cristo. Isto é raro tratando-se duma região tipicamente islamizada. Me alegrei por ver aquele pequeno grupo.

   A missa foi presidida pelo padre Maurício e as leituras falavam da vinda de Espírito Santo. Posso dizer que elas serviram de “tempero” para o tema do nosso encontro, uma vez que nada é feito sem ajuda do Espírito Santo. Ele que nos dá força, vontade e coragem de partilhar o que sentimos dentro de nós mesmos.

   O encontro terminou com reflexões, trabalhos em grupo e individuais e algumas considerações sobre o tema.

   Saudações Combonianas a partir de Moçambique. Estamos Juntos!"

por Ermelinda Ernesto, formanda LMC

12
Jun 11

   Estou em Moçambique quase à 6 meses, vivo com a LMC Vanessa, do Brasil, na comunidade Stª Bakita pertencente á paróquia S. Francisco Xavier – Benfica, Maputo. A adaptação não foi difícil, como não trazia muitas expectativas foi fácil de aceitar tudo aquilo que me esperava por cá.

 

 Não me querendo contradizer, só no primeiro mês é que me senti um pouco perdida, pois não sabia o que fazer, ao nível da escola e das actividades paroquiais estava tudo a entrar em ritmo de féria, por isso frequentei as aulas de costura da Guilherma, LMC que pouco depois regressou ao Brasil, foi uma experiência interessante. Se tivesse tido oportunidade de frequentar mais tempo até poderia ter continuado com o curso de costura, mas ficou muito por aprender.

 

   Depois da partida da Gui chegaram à paróquia dois escolásticos combonianos da África do Sul, o Salomon (Togo) e o Kgomotso (África do Sul), a quem eu e a Vanessa demos aulas de português, foi um período muito bom. Eles também me ajudaram a limpar e a preparar a sala e os computadores para o curso de informática. E ainda nos levaram a conhecer a Casa do Gaiato.

 

   O Natal foi muito intenso com a procura de um Menino Jesus para a comunidade, a curiosidade para ver o curral que os jovens prepararam, os ensaios intensivos com os jovens para a animação eucarística do tempo de Natal, a limpeza da capela...

 

   A grande prenda de Natal foi recebida no fim de semana anterior ao Natal, quando no momento de acção de graças a mamã Graça e a sua família ofereceram uma grande quantidade de alimentos para as vovós carenciadas... Ela e o marido que faziam aniversário de casamento no dia 25 optaram por não fazer festa utilizando o valor que iriam gastar na festa para oferecer bens alimentares a quem necessita. Um gesto muito nobre e cheio de amor. A mamã Graça costuma dizer: “Deus é bom para mim, dá-me muito, por isso eu dou...”.

   Gosto bastante das celebrações da eucaristia são muito animadas e os momentos de acção de graças são muito bonitos. Já me emocionei várias vezes, mas quem me conhece sabe que me emociono com muita facilidade... os encontros no núcleo, as atitudes de algumas pessoas, trabalham profundamente em meu coração...

 

   Em Janeiro iniciei o 1º curso de informática que termina esta este mês (Abril), ao qual tive algumas dificuldades em me adaptar, pois não estava habituada a passar tanto tempo numa sala, o meu trabalho sempre foi ao ar livre... mas tudo se ultrapassa no amor de Cristo. Dar aulas é algo que nunca tinha feito, mas à qual me empenho e dedico, já tive de estudar muito, pois só sabia o básico do básico. É interessante comprovar que na missão não só se ensina como também se aprende.

  

   Na minha comunidade conheci a Felicidade, uma senhora que tem um sorriso que a caracteriza e

uma simplicidade que me toca. Um dia levou-nos (a mim e à Vanessa) à sua “machamba” para nos apresentar a mãe, lá deparei com uma realidade totalmente diferente da que estou inserida, “machamba” quer dizer campo (de cultivo)... Para lá chegar tive de conduzir e caminhar em caminhos quase invisíveis devido ao mato, as pessoas ainda vivem em palhotas e mal falam português, apenas xangana ou ronga (dialectos falados na província de Maputo). No meio de tanta simplicidade passei um dos melhores dias desde que cheguei. Apanhei amendoim e maçaroca, diverti-me com as crianças, mesmo sem compreender o que me queriam dizer, comi maçaroca assada e “xima” (farinha de milho cozida) com “cacana” (um tipo verdura), os nomes podem parecer estranhos, mas é tudo muito saboroso. Tudo à sombra do cajueiro e com os pés na areia.

 

 

   Estes pequenos momentos enchem-me de alegria, em cada um deles sinto que Deus me convida a dar mais e a amá-lo no irmão.

 

   Estamos juntos!!!

por Liliana Ferreira

 

15
Abr 11

  

   Mais de quarenta anos depois da evangelização de Mongoumba, é neste ano que se realizará, na festa da Sagrada Família, os primeiros casamentos católicos de pigmeus! 

   Na verdade, estes casamentos representam muito mais que a festa visível aos olhos de todos. Neste dia, 17 casais celebraram este sacramento e, pela primeira vez, pigmeus e não-pigmeus, numa situação de igualdade, partilharão os mesmos lugares de honra na Igreja e os mesmos trajes festivos!

   A evangelização de pigmeus está no seu começo mas descobrimos com alegria que, culturalmente, estes possuem valores que estão muito de acordo com o cristianismo.

   O Gabriel é um deles. Quando na visita a uma das capelas este jovem se aproximou do P. Jesús e lhe perguntou se não podia, também ele, casar-se com a sua mulher. O P. Jesús procurou saber um pouco mais da sua vida.

   O Gabriel, a mulher e alguns dos pigmeus do mesmo acampamento, tinham sido baptizados no passado mas, de seguida, Mongoumba viveu vários anos sem padre residente e, pouco a pouco, os não-pigmeus tomaram todos os lugares na capela e na paróquia não lhes deixando muito espaço para a vida paroquial.

   A nossa paróquia lançou, este ano, a ideia de fazer uma celebração única para a realização do casamento que reunisse casais de todas as capelas. Assim, o Gabriel, tal como outros do acampamento, que aproveitar esta oportunidade para celebrar este sacramento (evitando assim as grandes despesas da festa, que serão partilhadas por todos os casais).

   O P. Jesús, tentou saber um pouco mais: “A questão do dote está regularizada?” – perguntou ele.

   - “Que dote? Nós (os pigmeus) não temos problemas de dote. Na nossa tradição não há nada a pagar.” – respondeu o Gabriel.

   - “Mas”, continuou o P. Jesús, “ela é a tua única mulher ou há outras?”

   - “Nós só temos uma mulher!”

   O P. Jesús, partiu então ao acampamento com a Márcia para conhecer os outros casais e conhecer um pouco mais das suas vidas.  

  Este casamento que reunirá autoridades e pessoas simples será, sem dúvida, um momento abençoado para quebrar as barreiras da discriminação e descobrir novos caminhos de evangelização e de justiça para este povo que reclama o seu direito a conhecer a Cristo e a viver segundo os valores do Evangelho.

por Susana Vilas Boas (LMC)

10
Mar 11

   Era Domingo, o calor abrasador e os valores de humidade ultrapassavam já os 80%! A Márcia e eu fomos a M’Baiki, ao centro diocesano de formação. Aí estavam alguns dos nossos professores em formação que deveriam regressar a Mongoumba.

   Chegamos e participamos na sessão de encerramento da formação. Esta ainda não tinha terminado quando o céu começou a escurecer e o vento a soprar com violência.

   Tentamos apressar o regresso mas, nada a fazer. A chuva batia com força contra os vidros do carro. Que fazer? No dia seguinte uma nova formação começava em Mongoumba e nós precisávamos de estar presentes. Não dava para esperar a chuva pois o barco para atravessar o rio fechava às 17 horas. Há que tentar meter-se à estrada confiando a viagem nas mãos de Deus.

   Metemos as quatro-por-quatro e lá avançamos numa marcha entre os 15 e os 20 km/hora. Pouco mais que a 2km do centro de formação, encontramos uma barreira. É uma barreira que está na estrada exactamente para impedir que os veículos (sobretudo os camiões) circulem quando chove para evitar assim de estragar (ainda mais) a estrada. O guarda da barreira veio falar comigo.

   - “Ó irmã, não pode conduzir com a chuva!”

   - “Eu sei” – disse-lhe eu – “mas o senhor vai ser simpático e vai-me deixar passar. Sabe bem que não são carros como o meu que estragam a estrada”.

   - “Ai não sei” – continuou ele – “ordens são ordens”. 

   Sem me dar por vencida, continuei a argumentar:

   - “Já viu que se eu ficar aqui não chegarei a tempo para atravessar o rio? Não está bem que eu não durma em casa.”

   - “Pois… se a irmã ao menos pagasse o café à gente…”  

   Fazendo-me de desentendida, continuei:  

   - “Café? Eu aqui não tenho café! Mas olhe lá, já conhece a Márcia?” – ele olhou para dentro do carro e acenou que não com a cabeça. “Ela” – continuei eu – “é a minha nova colega e veja lá, é a primeira vês que alguém vai pará-la na barreira e ela terá de dormir na rua! Sabe como é, esta gente nova não está habituada a isto e a pobre está aqui está a chorar.”

   A Márcia, numa boa interpretação do papel de menina desprotegida comoveu o homem que nos deixou continuar a viagem.

   Lá seguimos sempre com todos os cuidados. A terra batida debaixo do carro parecia mais areia movediça. A um certo momento, o carro desliza e lentamente lá conseguimos parar já fora da faixa de rodagem. Entregando-nos nas mãos de Deus seguimos viagem agora numa média de 15km/hora. Foram os 80km de estrada mais longos que fizemos!

   Chegamos ao barco às 17 horas em ponto. Debaixo de chuva atravessamos o rio e, com a graça de Deus chegamos a casa.

   À noite, só a palavra “obrigada” conseguiu ser a nossa oração.

   Em cada dia, seja a natureza ou a cultura em que estamos inseridos, conhecemos os nossos limites e experimentamos a graça da Providência Divina.

   Dificuldades? Sempre! Mas a fé que nos alimenta não nos faz perder a esperança. Não vivemos a missão por nós mesmos mas por Aquele que aqui nos enviou e envia em cada novo dia.

por Susana Vilas Boas (LMC)

publicado por LMC às 10:42
05
Fev 11

 

   Pauline era uma jovem pigmeia de 14 anos quando, durante uma tempestade, uma árvore lhe caiu sobre a perna. Nessa altura, veio à Missão pedir-nos ajuda. A Carmen, (LMC espanhola), correu para Bangui. Nos hospitais, todos eram da mesma opinião: “é melhor amputar. É a única solução.”

 

 

   Longe de aceitar estas palavras, Carmen falou finalmente com o Dr. Onimus – um médico cirurgião francês que vem três ou quatro vezes por ano à República Centro Africana para operar crianças. O Dr. Onimus, propôs-se a operar a Pauline. Depois da operação, ela ficou com o gesso durante mais de dois anos. Durante este tempo ficou a viver no nosso centro de reeducação para deficientes motores.

 

   Finalmente, chegou a hora de tirar o gesso. O osso e ferida da perna tinham cicatrizado mas a Pauline continuava sem poder andar. O tendão tinha ficado demasiado tempo esticado… Sem se deixar levar pelo desânimo, o Dr. Onimus voltou a operar a Pauline. Desta vez foi uma operação simples.

 

   A Pauline regressou à floresta ainda que tivesse medo de andar.

 

   - “Pode voltar a partir-se!” - Dizia ela quando a incentivávamos a andar.

 

   O tempo passou e a Pauline, já com quase 20 anos, ficou grávida. Aos 6 meses de gestação, teve, de parto prematuro, dois gémeos: um menino e uma menina. Os dois juntos, não chegavam a pesar três quilos! Como aqui não há um verdadeiro hospital, as crianças morreram ao fim de três dias. A Pauline ficou de rastos.

 

   Passadas umas semanas, uma senhora (também pigmeia) morreu durante o parto. Pedimos à Pauline se não queria guardar esta criança como se fosse sua. Ela aceitou. No entanto, a criança sofreu uma infecção pós-parto tão forte e acabou por morrer ao fim de dois dias.

 

   A Pauline não abria a boca para protestar nem chorava a perda. Estava a sofrer demasiado para querer ser consolada.

 

   Sempre que íamos passando pelo seu acampamento, saudávamo-la e, sempre que ela vinha à aldeia, passava na nossa casa para pôr a conversa em dia.

 

   O tempo foi passando. Ao fim de alguns meses, passando no seu acampamento, reparei que a Pauline estava grávida. Então perguntei-lhe:

   - “O que se passa com a tua barriga que está tão grande? Andas a comer muito peixe ou é da mandioca?”

 

   Envergonhada, ela sorriu. Então, mais a sério, perguntei-lhe como estava e, num gesto sem palavras, fez-me perceber que nem queria pensar no que tinha acontecido no passado. Abracei-a dizendo-lhe que tudo iria correr bem.

 

   Graças a Deus, algum tempo depois, a Pauline veio visitar-me trazendo nos braços… a pequena Pauline de dois meses. Era grande a sua alegria em me mostrar esta bebé gorducha e cheia de saúde.

 

 

 

 

 

   São estes os contornos do dia a dia vivido no coração da África: uma eterna luta constante pela vida onde a oração e a esperança se tornam as únicas armas capazes de quebrar a corrente do sofrimento e da morte.

 

   Com a Pauline, conhecemos a dor e a luta pela sobrevivência. Mas, como ela, recebemos de Deus o conhecimento e o sabor da vida quando esta é vivida com fé e esperança.

por Susana Vilas Boas (LMC)

publicado por LMC às 11:16
16
Set 10

  

   Chama-se Rosaline, tem trinta e poucos anos, cinco filhas e tem SIDA. Em M’baïki detectaram-lhe a doença e sugeriram-lhe que deixasse o bebé de um mês e partisse para morrer em casa, pois, não deveria sobreviver mais de uma semana.

   Em vez de seguir o conselho, esta mulher caminhou com a sua bebé nos braços durante 80km e chegou-nos à Missão. Encaminhámo-la ao hospital e demos leite para a criança.

   Algumas semanas depois esta mulher estava, aparentemente, bem. Recuperou as forças e recomeçou a vender os produtos do seu campo no mercado para ter algum dinheiro para sustentar as cinco filhas. O marido, esse, partiu para o Congo e nunca mais regressou.

   Nesta mulher nunca se descobre um olhar triste, ao contrário, sempre sorridente e cheia de garra, faz face aos problemas que vão surgindo.

   Hoje, um ano depois, esta mulher continua, com a graça de Deus, a trabalhar e a cuidar das suas filhas. Sempre sem desistir e sem desesperar com as novas doenças que vão surgindo.

   As meninas têm no olhar uma sombra de tristeza mas que não as impede de avançar e, sorrindo, nos pedir ajuda para poderem ir à escola.

   Esta é uma das muitas histórias das mulheres que aqui encontramos.

   Sempre cheias de força e de vida, são inúmeros os exemplos de vida como o da nossa cozinheira que, apesar de ser casada é ela que, depois do trabalho, vai ao campo e, chegando a casa, mete os produtos do campo à venda, prepara o jantar para os seis filhos e, caso o marido se meta em alguma confusão, é ela que o vai tirar da cadeia.

   Neste país, a mulher, independentemente da sua etnia, e sem ter consciência disso, é a base do desenvolvimento social e o “motor” dentro das diferentes religiões.

   Aqui, onde as mulheres são consideradas como inferiores em relação aos homens, é com alegria que a nossa Missão tenha sido sempre maioritariamente formada por mulheres. Nos últimos 11 anos, 8 mulheres LMC passaram por esta casa partilhando a vida destas mulheres que, acreditando no desenvolvimento, se negam a baixar os braços diante das dificuldades.

   Se é verdade que por trás de um grande homem está sempre uma grande mulher, neste continente, precisamos de grandes homens que sejam dignos de tão grandes mulheres!

 

por Susana Vilas Boas

12
Ago 10

                                                                                                                     

   Mbi bala ala. (Eu vos cumprimento) 

   Siriri ti Nzapa a duti na be ti ala. (Que a paz de Deus esteja coonvosco)

 

   Já cá estou á mais de dois meses. Apesar de todas as dificuldades, o meu coração bate forte por este país. Sei-o porque o nosso coração alegra-se e sofre com aqueles que amamos.

   No outro dia senti o meu coração sangrar por esta África, por este povo.

   Sabemos das dificuldades que as pessoas deste lado enfrentam por causa da feitiçaria. Quando estivemos em Bangassou, fomos á prisão, onde os presos acusados de feitiçaria imploravam á irmã que fosse lá com mais frequência, tal é o medo que têm de serem queimados vivos.

 É um medo que os consume, pois, é fundado na verdade de aqui as pessoas serem queimadas vivas, enterradas vivas e apedrejadas quando acusadas de feitiçaria. Também aqui em Kembe, muitas pessoas estão presas, acusadas de serem feiticeiras. Aguardarem o julgamento na prisão é bom, pois ali estão seguras, protegidas.

   Por estas semanas um homem acusou uma mulher de ser feiticeira. Acusados de feitiçaria são os mais “pequeninos”: idosos, crianças órfãs, viúvas ou uma pessoa que seja de fora da comunidade. São os que estão mais desprotegidos e fáceis de acusar. Pessoas que ocupem um posto de relevo na aldeia não são acusadas. Esta mulher, embora esteja a viver com o seu marido e os seus filhos em Kembe, é de uma outra comunidade afastada, por este motivo era fácil que rapidamente a ideia de que era feiticeira se espelhasse pela aldeia e que a maioria das pessoas a começasse a ver como tal. Por que é que o homem a acusou? Os dois são funcionários na escola. Quando ela regressou, depois de ter estado algum tempo ausente, descobriu que ele tinha desviado dinheiro, e denunciou-o. Como forma de vingança, ele acusou-a de ser feiticeira. 

   Aqui Padre opõe-se fortemente a que algum católico acuse alguém se ser feiticeiro, e entretanto o marido da acusada veio falar com o Padre. Para restituir a paz e a verdade, o casal e o homem passaram alguns dias na igreja, a orar e a pedir e conceder o perdão.

   Soube que há 4 anos atrás, numa aldeia próxima daqui, várias pessoas foram queimadas vivas, em praça pública, o que acontece ainda com muita frequência. Nenhuma voz se elevou para se opor. É uma realidade dura, em que as autoridades nada fazem para defender estas pessoas, pois também eles acreditam nisto. Uma crença fundada na ausência de Cristo, que muitos ainda não conhecem. Nestes momentos, temos que ser nós, Igreja, a ser voz deste povo, porque por mais que nós, missionários, tentemos dar voz aos que não se conseguem fazer ouvir, às vezes é impossível. Temos que ser nós mesmos a sua voz. Uma voz que clama por justiça, verdade, amor…

  Quando vim, vinha na certeza de que era um chamamento de Deus, na certeza de que é Ele que nos guia nos caminhos da Evangelização. Não fazia ideia era de que passados 2000 anos de Cristo ter morrido por nós, passados 2000 anos de Ele nos ter mostrado o Amor do Pai e de nos ter deixado o novo mandamento: “ … que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei.” ( Jo 15,12), passados 2000 anos de Ele ter dito: “ Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura.” (Mc 16,15), este convite continua a ser tão actual e tão Urgente.

   Deste lado do oceano existem ainda muitas pessoas que nunca ouviram falar de Deus e as que ouviram sentem ainda a dificuldade de acreditar verdadeiramente … … Porque a messe é grande e os trabalhadores são poucos, ousemos Segui-lo.

  

P.S. – Confesso! Não me aguentei e já dei umas boas beijocas nas crianças. Elas gostaram e eu também =)

 

por Márcia Costa

publicado por LMC às 10:53
15
Jul 10

    Os últimos meses têm sido de grande emoção: a chegada da Márcia, a partida da Márcia para aprender o sango, as primeiras reuniões paroquiais com os responsáveis das capelas e a nova comunidade de combonianos que se instalou a Mongoumba, os quase 20.000 “refugiados” vindos do Congo e as dezenas de ONG’s que aqui se instalaram…

   Longe de nos deixarmos levar pelo cansaço e aproveitando os 12 anos de presença dos LMC em Mongoumba, decidimos levar a cabo a primeira Assembleia Geral de LMC na RCA.

   Esta Assembleia pretendeu recuperar a história dos LMC em Mongoumba e fazer uma avaliação do caminho que percorremos: o passado, o presente, o futuro imediato e as perspectivas de futuro. Aproveitamos também este tempo para debater algumas inquietações que existem a nível do Instituto Comboniano; inquietações que ressurgem no último Capitulo dos MCCJ e que nos parecem pertinentes (a carta comunitária; a animação missionária; a promoção do laicado africano…)

   Como a Márcia faz o estudo de sango em Kembe (numa comunidade de irmãs combonianas, a 850km de Mongoumba), aproveitamos para chegar até Bangassou (a 1.000km de casa) para esta Assembleia.

   Desta Assembleia surgem vários documentos que serão revistos e oficializados que depois colocaremos à vossa disposição, mas, pelo momento, cá ficam as aventuras da viagem e dos bons momentos livres que passamos a leste deste país.

 

   

   A aventura começou antes de deixar Mongoumba. Na verdade, no dia em que tínhamos previsto partir, o barco estava avariado e não podemos atravessar o rio… No dia seguinte, depois de várias tentativas para o fazer, o chefe do barco comunica-nos que não nos poderá passar, porque ainda continuam os trabalhos para arranjar o barco.

 

   A Augusta já com vontade de regressar, conseguiu ver os frutos da sua paciência. Uma autoridade chegou e, claro, como nestes casos dá-se sempre um jeito, lá conseguimos, atravessar o rio.

   Chegamos a Bangui pouco antes do meio-dia. Estávamos cansadas e ainda faltavam 800km a percorrer. Entramos na casa provincial, comemos e seguimos viagem.

   Quatro horas depois, (sempre por uma estrada desconhecida), chegamos a Grimari, uma paróquia onde estão os combonianos. Eram já quase cinco da tarde e o sol já estava a esconder-se. Perguntamos se haveria espaço para nós e, com um sorriso aberto disseram-nos: “para vocês haverá sempre lugar!”. Graças a Deus! Nós já estávamos bem cansadinhas dos 500km que tínhamos percorrido! Com a comunidade (que se encontrava com o provincial), rezamos, comemos e, depois de passarmos alguns momentos juntos, sem demoras, fomos deitar-nos.

   Eu fiquei no quarto com a Maria Augusta. Atirámo-nos para a cama e já com a luz apagada a Augusta levantou-se para ir buscar água. Mal abriu a porta do quarto, ouvi o Padre que lhe dizia: “Augusta, olha para o carro, vocês têm um furo.” Eu, sem me mexer da cama, só pensei: “graças a Deus que foi aqui e não no meio da estrada!”

   Pronto, no dia seguinte, como desde o início da viagem, lá atrasamos a partida. O pneu foi arranjado e, quase duas horas depois do previsto, lá continuamos o caminho.

   A estrada estava bastante perigosa, a areia era muita e era suficiente um pouco mais de velocidade para o carro deslizar, tinha também muitas

 curvas e muitas lombas, subidas e descidas intermináveis que faziam o carro ora “morrer” ora aumentar a velocidade… a visibilidade era nula e a seguir a uma lomba nunca sabíamos o que íamos encontrar… Para o trajecto, tentamos fazer sempre uma média de 200km cada uma de maneira a, sem pararmos, irmos descansando da condução. No entanto, a Augusta apanhou sempre os piores lugares da estrada. Para mim ficou só uma aventura com um galo que tentou atacar o carro e acabou por se esborrachar contra o pára-brisas.

   Entre as 15 barreiras que passamos, conto-vos o que se passou a 680km de casa. A Augusta conduzia, um calor abrasador fazia-nos estar mais cansadas do que era previsto. A sede era muita e a água que tínhamos estava tão quente que se juntasse-mos umas ervas dava para fazer chá! Eis que nos aproximamos da barreira. Só mesmo a 2 metros dela é que tínhamos sombra. A Augusta, claro, parou na sombra, mas, o militar que controla a barreira, achou que nos aproximamos demasiado. Começou a gritar e a mandar-nos recuar. A Augusta assim fez. Ele aproximou-se de nós sempre a gritar e nós pedimos desculpa tentando explicar que só queríamos aproximar-nos da sombra. Nada a fazer. Ele gritava cada vez mais. Não aceitava nem explicações nem desculpas. Depois, num tom de poucos amigos, pediu a carta de condução à Augusta (quase sempre quando pedem os documentos é multa certa). A Augusta deu-lhe. Ele olhou para a carta e perguntou: “Maria Augusta, é você?” A Augusta disse que sim. Não sabemos porquê mas, ele abriu um sorriso enorme, desejou-nos boa viagem e deixou-nos passar…

   Como já vem sendo hábito, sempre rezamos o terço e nos confiamos nas mãos de Maria para que a viagem se passe pelo melhor.

Seis horas depois de deixar Grimari, chegamos a Kembe. As irmãs acolheram-nos de braços abertos e, depois do almoço e já com a Márcia connosco, continuamos viagem.

   O céu começou a escurecer… o vento assobiava e fazia as árvores agitarem-se… em plenas três horas da tarde tivemos de acender as luzes (mais uma vez a Augusta a conduzir). Caíram as primeiras gotas… e logo outras se seguiram com violência. Começamos a rezar o terço mas, logo a seguir ao primeiro mistério, a violência da chuva e do vento era tal que não podíamos continuar. Os buracos da estrada enchiam-se de água e subiam até ao pára-brisas como um tsunami que nos engolia tirando-nos a visibilidade e fazendo o carro deslizar.

   Paramos num lugar longe das árvores e continuamos a rezar o terço. De um lado, as casas pareciam ilhas no meio de tanta água que se ia estagnando entre elas, do outro lado da rua, uma Igreja… nos meus pensamentos, o salmo 144 «O que é o homem para que te lembres dele? O filho de um homem para que contes com ele? O homem não é senão um sopro…». O barulho da tempestade era tal que quase não nos conseguíamos ouvir. À porta de casa mais próxima, olhos curiosos tentavam perceber se quem vinha no carro iria passar ali a noite…

   Estávamos já no quarto mistério quando a chuva acalmou um pouco e o céu ficou um pouco mais claro. Arriscamos continuar. A chuva parou. Parecia que não haveria mais atrasos, afinal só faltavam 35km. Finalmente chegamos a Bangassou, onde o bispo tinha ficado de nos receber, o bispo tinha partido e parecia que alguns imprevistos nos deixavam quase sem sítio para dormir. Claro que isso não aconteceu. Graças às irmãs de Gran Rio e aos Combonianos aí presentes, lá jantamos e dormimos descansadas. No dia seguinte, instalamo-nos no espaço onde o bispo tinha reservado para nos acolher.

   Devo dizer que, a preocupação do bispo (que tentou nos acompanhar sempre através do telemóvel), o acolhimento das irmãs de Gran Rio e a disponibilidade dos padres combonianos, encheram-nos de alegria e fizeram-nos sentir de verdade orgulhosas da Família Cristã a que pertencemos.

   No último dia da Assembleia, visto que já estávamos mais livres, fomos, com os padres combonianos, visitar os vários projectos da Diocese: a escola técnica (costura, agricultura, apicultura e carpintaria), o “Bom Samaritano” – que é um centro para leprosos, para doentes de Sida e para idosos acusados de bruxaria. Com a irmã Marcela – Gran Rio –, fomos à prisão e participamos no encontro semanal que ela faz com os presos. Foi bom sentir o pulsar da pastoral aqui deste lado. Na verdade, tanto Gran Rio como Combonianos, na sua humildade e pobreza, mostraram a riqueza de coração que eles oferecem cada dia a este povo.

   Caso pensem que as aventuras do carro terminaram, enganem-se! Neste último dia, para visitarmos todos estes projectos, pegamos no carro, ou melhor dizendo, tentamos pegar no carro… como ele não deu sinais de vida, chamamos o mecânico para carregar a bateria. Saímos e, uma hora depois, estávamos a empurrar o carro!

   A ponto de regressar a situação apresenta-se bastante confortável: a bateria do carro está completamente descarregada, o gasóleo acabou na bomba de gasolina desta terra e nós só temos mais 1000km a fazer para chegar a casa. Mas, com fé, esperança, alegria e espírito desportivo, o regresso a casa, será certamente uma história para outro dia.

 

Até breve se Deus quiser.

 

Beijocas,

 

por Susana Vilas Boas (LMC todo-terreno nas “estradas” da RCA)

publicado por LMC às 11:07
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